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UM PLÁCIDO DOMINGO Performance

— expirado

O quê
Quando 2011-09-11
de 10:00 até 12:30
Onde Jardim da Gulbenkian
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Um Plácido Domingo

Performance 

Jardim da Fundação Calouste Gulbenkian, dia 11 de Setembro, entre as 10h00 e as 12h30.

Especialmente indicado para famílias com bebés
Uma acção do Projecto Opus Tutti

 

Um Plácido Domingo é uma peça para ser composta pelos sentidos de quem se passeia pelo Jardim. Ouça, olhe, ande, pare, procure. Ande, ouça, olhe, procure, pare. Olhe, ouça, procure, pare, ande. Pare, ouça, olhe, procure, ande.

Os diálogos performativos de Um Plácido Domingo podem acontecer em resposta a apelos do público, em especial dos bebés, durante momentos de deambulação e interacção informal. Ocorrem também em resposta a chamamentos programados por parte dos artistas intervenientes. Esses momentos têm características mais ou menos estruturadas e ocorrem nos espaços assinalados no mapa.

 

Pomar dos Gamelões - Espécie sonora milenar, o Gamelão é um instrumento musical colectivo originário de Java que tem fertilizado outras culturas sonoras. O exemplar aqui presente é constituído por centenas de peças de porcelana, fainça, grês, vidro e cristal. Algumas possuem frequências básicas muito marcantes e soam como as notas de alguns instrumentos musicais convencionais. Outras apresentam conjuntos complexos de frequências e soam como sinos ou instrumentos electrónicos. No Pomar dos Gamelões existe um núcleo de peças que se distinguem pelas suas cores vivas. As crianças podem utilizá-las livremente e aí criar os seus frutos sonoros.

 

Campo das Flores Sonívoras - Espécies sintéticas desenvolvidas com tecnologia open-source nos laboratórios Opus Tutti por investigadores trans-etários creditados por várias agências de avaliação. As Flores Sonívoras, também denominadas de Tubalões, englobam várias espécies que têm em comum o facto de possuirem uma membrana de látex posta a vibrar pelo ar. Contrariamente ao comum das plantas, as Flores Sonívoras alimentam-se de vento e produzem som. Conforme a sua dieta, podem vibrar como sirenes ou emitir bordões e glissandos.

 

Trilho do Rumor das Canas - Espécie simples que aguarda apenas a atenção de quem passa, o bambu deixa-se colher por quem o acolhe. Evoca a flauta de Pã quando a boca segreda o rumor dos passos. Finge a marimba ou a chuva na caleira quando as mãos o cortam e batem no chão. É o que é quando o vento sopra nas canas.

 

Mata das Casas de Pássaros - Associação complexa de elementos de fauna e flora, as Casas de Pássaros são frequentemente confundidas com árvores. Som-biontes que se vêem com ouvidos abertos. Tente avescutar o pássaro de água, o melro de berna, o coucoo-sapiens. Distinga as suas trocas de som. Intrometa-se.

 

Paúl dos Tambores Cantantes - Um conjunto de espécies muito diversas, que incluem elementos de pele, madeira, bronze ou aço. Os Tambores Cantantes estabelecem um contínuo entre a voz e a percussão. O corpo é a casa da voz. A voz é a casa da alma. “Faço uma casa feita de nada, faço uma casa, casa feita de mim.”

 

PARTICIPANTES:

Afonso Paulouro, Alexandra Almeida, Alice Rodrigues, Amanda Tice, Ana Almeida, Ana Antunes, Ana Campos, Ana Guedes, Ana Monção, Ana Pereira, Ana Rebelo, André Antunes, António Rodrigues, Aurora Gomes, Bárbara Martins, Beatriz Manzanara, Beatriz Reis, Carolina Palmeira, Catarina Fragoso, Clarissa Tice, Cláudia Galante, Cláudia Sarrico, Concha Silva, Cristina Gonçalves, Daniela Carvalho, Elisabete Ferrão, Emília Gonçalves, Fernanda Lopes, Filipe Hardisty, Francisco Salazar, Gabriel Henriques, Helena Magalhães, Helena Rodrigues, Henrique Fernandes, Henrique Jorge, Inês Silva, Isabel Nogueira, Ísis Gomes, Jaime Bacharel, Joana Nascimento, Joana Veiga, João Aurélio, João Nogueira, Joaquim Branco, Jorge Leal, Laura Cesana, Lavínia Moreira, Luís Margalhau, Luísa Gomes, Madalena Morgado, Maissa Antunes, Manuel Fontão, Márcia, Margarida Magalhães, Margarida Vicente, Maria Jorge Leal, Maria José Barriga, Maria Lopes, Maria Mourão, Mariana Nunes, Mariana Fragoso, Marina Couto, Marta Nunes, Martim Paulouro, Martyne Puyvelde, Mateus Gomes, Matilde Silva, Matilde Tice, Mia Gomes, Miguel Palmeira, Miguel Rodrigues, Paulo Maria Rodrigues, Pedro Campos, Pedro Ramos, Pedro Sena Nunes, Pedro Silva, Pia Silva, Ricardo Antunes, Rini Luyks, Rita Gonzaga, Rodrigo Jorge, Rogério, Rui Teles, Rute Dutra, Sara Costa, Sérgio Fontão, Sérgio Pinhão, Simão Casaleiro, Simão Leal, Sofia Gonçalves, Sofia Terlica, Sofia Vieira, Sónia Malaquias, Susana Quaresma, Teresa Morgado, Tiago Martins

 

Numa brilhante conferência realizada há anos atrás na Fundação Calouste Gulbenkian, o escritor António Lobo Antunes afirmou algo como: “o objectivo da educação é dotar as pessoas com instrumentos de construção de felicidade para a vida”. É esta a ideia simples que inspirou a Companhia de Música Teatral e o Laboratório de Música e Comunicação na Infância do CESEM (FCSH-UNL) a propor ao Serviço de Educação da Fundação Calouste Gulbenkian um projecto centrado em práticas artísticas e que permitisse o desenvolvimento de aspectos sensoriais, motores, emocionais, afectivos, intelectuais, cognitivos e espirituais. Opus Tutti é um projecto artístico e educativo com duração de 4 anos, que visa a concepção de boas práticas de intervenção na comunidade dirigidas à infância e primeira infância. Opus Tutti integra acções dirigidas a diversos públicos-alvo e pretende: criar modelos e materiais de trabalho direccionados à primeira infância, numa intervenção transversal a vários agentes educativos e sociais; oferecer oportunidades de fruição artística e interacção social de elevada qualidade; desenvolver modelos de formação “imersiva” e “implosiva” na área artística; implementar um estudo piloto numa creche, intervindo ao nível das práticas culturais e educativas das famílias e profissionais de forma a contribuir para o seu sucesso e enraizamento social.

O ano zero de Opus Tutti está em curso tendo sido realizadas experiências como workshops exploratórios para bebés em contacto com crianças mais velhas; workshops de “ludofónica experimental” para músicos, artistas e educadores, workshops/espectáculos para bebés acompanhados pelos respectivos Pais em condições que permitiram recolher dados necessários para a realização de reflexões mais profundas relativamente ao tema da experiência artística na primeira infância e à utilização de meios musicais como mediadores comunicacionais. Estão também em curso trabalhos de reflexão metodológica e de criação de materiais e estratégias que promovam a participação e fruição artística com impacto na infância. A performance Um Plácido Domingo resulta de alguns destes trabalhos e de duas residências artísticas, em Julho e Setembro, apontando já caminhos para os próximos passos do projecto. Em Novembro deverá ter lugar na Fundação Calouste Gulbenkian um encontro internacional subordinado ao tema Arte para a Infância e Desenvolvimento Humano.

 

Um Plácido Domingo é um diálogo performativo com pessoas - sobretudo os bebés e as crianças mais pequenas -, mas também com os pássaros, as árvores, a água, o vento, os aviões e outros personagens dominicais do Jardim da Fundação Calouste Gulbenkian. É simultaneamente uma “performance” e uma interacção lúdica informal que vai buscar à música, à arte, ao corpo, os elementos com que se “brinca” e que estimula o contacto, a comunicação, a criação de ligações entre as pessoas. 

Um Plácido Domingo não é um espectáculo convencional: não pressupõe um espaço estável/isolado com pessoas a ver o que os artistas fazem durante uma duração determinada, mas inclui aspectos com esse detalhe artístico, sobretudo em alguns espaços (assinalados no mapa) onde estão instalados alguns elementos musicais e cénicos como o Pomar dos Gamelões, o Campo das Flores Sonívoras, o Trilho do Rumor das Canas, a Mata das Casas de Pássaros ou o Paúl dos Tambores Cantantes. Também não é uma “procissão” em que as pessoas seguem um conjunto de artistas através dum percurso pré-definido, embora a deambulação seja um dos seus ingredientes. Tem elementos fixos e improvisados, envolve artistas de múltiplos “credos”, talvez seja uma Garden-Opera ou um Happyning. É algo que cresce naturalmente a partir daquilo que acontece num Domingo normal, e por isso essa é melhor forma de o desfrutar: deslocar-se, parar, ir à procura, ver e ouvir o jardim.

Este trabalho resulta dum percurso de criação que foi partilhado por um grupo de adultos (artistas, professores e educadores) e crianças que ao longo do ano participaram em várias acções do projecto Opus Tutti. Neste primeiro ano, propusemo-nos fazer germinar ideias, materiais, contactos e recursos humanos.

Deste conjunto de experiências brotou naturalmente Um Plácido Domingo. Festejo final que é também uma espécie de improvisação sobre possibilidades musicais a revitalizar no dia a dia de qualquer creche. Festa colectiva, chamada aos Pais e à comunidade sobre a riqueza das boas experiências na infância: o som e a cor da Natureza, a voz e o corpo como primeiros instrumentos de organização da musicalidade com que todos nascemos. Música no seu estado puro, primário, orgânico, artesanal.

Abracem as árvores, façam soar as pedras do caminho, ouçam o som das canas, cantem com as aves!

 

  • Uma Parceria:

Companhia de Musica Teatral
Laboratório de Musica e Comunicação na Infância

Projecto financiado por:
Fundação Calouste Gulbenkian

  • Apoios:

Ministério da Cultura/DG Artes
CESEM
FCSH Universidade Nova de Lisboa
Fundação para a Ciência e Tecnologia
Universidade de Aveiro
Vista Alegre / Atlantis

  • Agradecimentos:

APEI e APEM
Casa da Música- Porto
Grilo Kitchenware
Instituto de Estudos de Literatura Tradicional
Teatro do Campo Alegre
Teatro de Formas Animadas de Vila do Conde
Unidade da Primeira Infância do Hospital D. Estefânia
VO´ARTE

Equipas de trabalho da Fundação Calouste Gulbenkian

 

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