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Curso de Paleografia Musical na Escola de Verão 2019: Notação musical e repertórios nos manuscritos Ibéricos (sec. X-XVI)

Datas: 8 a 12 de julho | dias úteis das 9h30 às 12h30 e das 14h00 às 16h00

Docente Responsável: Elsa De Luca

Áreas: História da Arte e Estudos Artísticos

Objetivos:
O curso fornece ferramentas essenciais para distinguir as principais tipologias de manuscritos musicais produzidos na Península Ibérica entre os séculos X e XVI. Com a ajuda de vários exemplos (facsimiles de livros, imagens digitais) analisaremos os aspetos materiais dos manuscritos (codicologia, decoração, escrita textual e, sobretudo, notação musical) e o conteúdo (repertórios). Um dos objetivos do curso é aprender a descrever e a comentar de forma crítica os manuscritos musicais utilizando a terminologia correta. Ademais, os estudantes irão aprender a ler e transcrever as notações musicais ibéricas, a reconhecer nos manuscritos as características portuguesas e espanholas e identificar a datação aproximativa das fontes.

 

Programa:
A primeira metade do curso analisará a escrita musical visigótica com uma pequena excursão no mundo da criptografia musical ibérica (esse código secreto encontra-se apenas nas atas notariais e, de vez em quando, nos manuscritos litúrgicos mais antigos). A segunda parte do curso consistirá na análise de manuscritos gregorianos em notação aquitana de origem espanhola e portuguesa. Nesta secção iremos apresentar as características principais da escrita musical aquitana que se desenvolveu em Portugal e Espanha fornecendo assim as regras básicas para distinguir a origem dos manuscritos analisados.

O curso tem uma componente principal de paleografia musical e irá desenvolver-se em torno das mudanças ocorridas na forma de escrever a música na Península Ibérica entre os séculos X e XVI. A primeira mudança consiste na substituição da escrita musical visigótica com a escrita aquitana, que foi importada do sul da França quando o rito visigótico foi abandonado e substituído pelo rito gregoriano, em 1080. A escrita musical visigótica deriva da notação ‘Frankish’ mas representa um desenvolvimento regional dessa notação muito peculiar. De facto, a notação ibérica é, dentro das notações mais antigas da Europa Ocidental, aquela que tem o maior número de signos musicais (‘neumas’) e é caracterizada também por uma complexidade gráfica que não se encontra em nenhuma outra região. A segunda mudança ocorrida na maneira de escrever a música na Península Ibérica refere-se ao desenvolvimento duma particularidade gráfica na escrita musical aquitana. Os escribas portugueses utilizaram com muita frequência um expediente gráfico (o losango) para assinalar a nota abaixo do meio-tom. No curso aprenderemos a reconhecer o modo dos cantos a partir do losango. A última mudança que ocorreu na maneira de escrever a notação musical relaciona-se com a difusão das ferramentas para escrever a letra gótica causando também uma alteração gráfica na aparência da notação aquitana. Nesta última parte do curso discutiremos como se desenvolveu o longo e lento processo de modificação gráfica da escrita aquitana até ao século XVI. A participação ativa dos estudantes é necessária ao desenvolvimento do curso. Os alunos serão encorajados a comentar os manuscritos analisados e a transcrever a notação. O curso prepara os estudantes para desafios editoriais relacionados à interpretação crítica e filológica da música antiga e a sua transcrição em edições modernas.

Imagem disponível em:
Biblioteca Virtual Patrimonio Bibliografico

 

Pré-Requisitos
Saber ler a notação musical.

 

Bibliografia
ALVARENGA, João Pedro d’, “Breves notas sobre a representação do meio-tom nos manuscritos litúrgicos medievais portugueses, ou o mito da «notação portuguesa»”, in Medieval Sacred Chant: from Japan to Portugal, pp. 202-19

FERREIRA, Manuel Pedro, Antologia de Música em Portugal na Idade Média e no Renascimento [2 vols. com 2 CDs] (Arte das Musas/Centro de Estudos de Sociologia e Estética Musical, 2009).

FERREIRA, Manuel Pedro, Antologia de Música em Portugal na Idade Média e no Renascimento [2 vols. com 2 CDs] (Arte das Musas/Centro de Estudos de Sociologia e Estética Musical, 2009).

HUGHES, Andrew, Medieval Manuscripts for Mass and Office: A Guide to their Organization and Terminology (Toronto etc. University of Toronto Press, 1982)

RANKIN, Susan, Writing Sounds in Carolingian Europe: The Invention of Musical Notation (Cambridge University Press, 2018)

Introdução à Musicoterapia

Música de COLO: Sessões de Música para pais, bebés e crianças