Cantus Planus 2026 I Évora, Portugal

«Cidade de origem romana, recebeu do próprio Júlio César o título honorífico de Ebora Liberalitas Julia; a presença de um bispo cristão está documentada no início do século IV. Após um largo período de domínio muçulmano, a cidade regressou ao controlo cristão em 1165. Com a restauração da sua catedral no ano seguinte, o canto litúrgico ressoou ininterruptamente na cidade desde então. Durante a primeira metade do século XVI, Évora serviu durante várias décadas como alternativa a Lisboa enquanto capital do reino; foi assim que a polifonia aí floresceu como um elaborado complemento do cantochão, frequentemente sob a forma de contraponto improvisado — uma relação que será ilustrada no concerto de sábado. Évora tornou-se arquidiocese em 1540 e a sua Universidade foi fundada em 1550. Alguns dos manuscritos musicais que subsistem desse período estarão expostos durante a conferência.
Este é um local particularmente apropriado para um encontro do grupo de estudos Cantus Planus. Situa-se também a uma conveniente proximidade quer de Vila Viçosa, sede da dinastia real de Bragança e detentora de uma rica coleção de manuscritos musicais (uma selecção dos quais aí será apresentada), quer do pequeno santuário mariano de Terena, onde se diz terem ocorrido alguns dos milagres narrados nas célebres Cantigas de Santa Maria do rei Afonso, o Sábio — duas dessas cantigas serão interpretadas no domingo.»
[Excerto da nota de boas-vindas redigida por Manuel Pedro Ferreira]
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